Sábado, 6 de Junho de 2015

Gallaecia:- Arcos, terra do Vez

 

 

 

 

NO RESCALDO DO XXIII ENCONTRO DE FOTÓGRAFOS E BLOGUES

(ALTO MINHO - TERRAS DO VEZ)

 

- ARCOS, TERRA DO VEZ -

 

1º QUADRO - Casa Solarenga de Requeijo

 2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Já há muto tempo que tínhamos em mira este edifício.

 

Trata-se de uma construção barroca de grandes dimensões. Tem uma capela lateral de finais de setecentos, dedicada a São Francisco.

 

Lia-se, assim, num sítio da internet: “(...) o característico solar de planta retangular, provavelmente do século XVIII, apresenta duas torres ligadas por um corpo mais baixo, compostas por três pisos e coroadas de cubos e esferas, possuindo a do lado esquerdo um passadiço comunicante com a capela lateral de S. Francisco. A loggia acento em arco, percorrendo toda a fachada. O piso térreo, elemento típico nestas construções, é destinado a arrecadações. O andar nobre integra vergas elaboradas em cantoria ao nível das portas, num conjunto global de grande cumplicidade”

 

Quanto à casa solarenga, ainda na internet, diz-se que é unidade de turismo de habitação, classificada como Imóvel de Interesse Público. Todavia, não nos parece que ali se pratique (ainda) qualquer turismo de habitação. Provavelmente, terá essa finalidade, mas a cuidar pelo estado ainda do seu edifício e da sua envolvente, parece-nos que ainda há muito a fazer para assim aconteça.

 

Quanto à dita capela dedicada a S. Francisco, a questão é toda outra. Manifestamente, a fachada frontal é belíssima, mas, fora isso, ou seja, as paredes exteriores que visionamos e tudo o resto, é ruina e desolação, pasto de lixo, bichos, silvas e outros arbustos que por ali proliferam em comunhão com o que resta da sua ruína! Esperamos, sinceramente, que haja documentos que possam permitir a sua reconstrução para «abrilhantar» o lindo «palacete» que lhe está ao lado.

 

Perdemos algum tempo para lá chegar e, apesar de sabermos que ali existe um pequeno muro, não sabíamos que os seus proprietários tinha um «responsável» para, se possível, nos lançar o cão por «abusiva» invasão de propriedade. A vedação, se é que existe, mal a vimos. E nada vimos também a indicar que se tratava de uma propriedade privada cujo acesso teria de ser solicitado.

Para quem apenas desejava fotografar o exterior do edifício, dito de interesse público, não percebemos porque querer «esconder» o quê!

 

Não confundir esta casa com uma outra ao lado com o mesmo nome - a Casa do Requeijo - e para o mesmo fim - turismo de habitação.

 

2º QUADRO - Igreja do Espírito Santo

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Quando parámos o autocarro, ao lado do rio Vez, ao nosso lado esquerdo, num alto, vemos logo a torre da Igreja do Espírito Santo.

 

A Igreja do Espírito Santo é um monumento religioso de Arcos de Valdevez, estando situado no Jardim dos Centenários, freguesia Salvador.

 

A sua construção iniciou-se em 1647, tendo sida concluída a sua estrutura em 1681. As obras prolongaram-se ao longo do século XVII. A fachada atual foi reformada durante o século XIX. A torre sineira foi construída entre 1724 e 1727 pelo Mestre Domingos Matias e a capela-mor foi ampliada em 1746.

 

Subimos para a ver e apenas dar uma volta pelos arredores - estávamos manifestamente já cansados e ansiosos por regressar a Chaves. Teríamos gostado entrar no seu interior para o ver, contudo, aquela hora, estava fechada. As informações que possuímos dizem-nos que o seu interior, de uma só nave, é decorado com um riquíssimo conjunto de talha barroca setecentista. O teto da capela-mor é revestido de caixotões e, ao centro, encontra-se um retábulo em talha dourada da autoria dos mestres Manuel Antunes e Francisco Pacheco, construído em 1666. Está classificada como Imóvel de Interesse Público. Teremos, com certeza, mais oportunidades para nos deslocarmos a Arcos de Valdevez pois razões, na verdade, não nos faltarão. Nessa altura, aproveitaremos para fazer uma reportagem, o mais completa possível, sobre esta linda terra do Vez, da província do Minho.

 

3º QUADRO - Casario típico

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Enquanto nos dirigíamos para junto do autocarro, ao passar pela Biblioteca de Arcos de Valdevez, do lado direito, chamou-nos a atenção este típico casario, já em manifesto mau estado de conservação.

 

4º QUADRO - Tapetes de rua coloridos

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

E passámos por uma das ruas, nas proximidades da rua marginal ao Vez, deliciando-nos com este lindo tapete de rua. Ainda pensámos que teria a ver com qualquer procissão, que, dado no dia seguinte ser domingo de Ascensão, aí teria lugar.

 

Engano nosso. Afinal trata-se de uma tradição. Expliquemos. Sabemos da «arte» dos minhotos para de tudo fazerem enfeites. Tanto mais que os enfeites de rua já remontam ao tempo de D. Manuel, aquando da sua passagem por esta localidade em direção a Santiago de Compostela, em 1525. Foi nessa altura que esta terra se passou a chamar, ou dar-se-lhe o nome, de «vila dos Arcos”. Ora, é este mesmo espírito festivo que emerge com a festividade da Senhora do Castelo, e a sua procissão que, da vila, se dirige à sua capela. A primeira peregrinação remonta a 1899 e, com ela, as ruas foram atapetadas para a passagem da procissão com o andor da Senhora. Esta tradição tem-se mantido ao longo destes anos todos. O tapete de rua que presenciámos era então para, no dia seguinte, a passagem da procissão da Senhora do Castelo.

 

5º QUDRO - Tapetes de rua feitos em parceria com a Câmara Municipal e algumas associações

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

São algumas associações do concelho, conjuntamente com a Câmara, que levam a efeito a conceção destes tapetes que decoram várias artérias de Arcos para a passagem da procissão.

 

As ruas Dr. Cerqueira Gomes (Direita), Amorim Soares (dos Açougues), S. João (Valeta), Lira e 25 de Abril, serão espaços de graciosas criações artísticas a registar.

 

O percurso da procissão, das ruas de Arcos para o Monte do Castelo sai da Matriz, desce a Praça Municipal, segue pela Rua Direita, desce a Rua Amorim Soares, segue pelo Campo do Trasladário, sobe a rua 25 de Abril e Norton de Matos, Largo da Lapa e desce a Rua de S. João e Valeta, sobe à rua do Lira, segue pela Rua Soares Pereira até à Lapa, sobe a Rua Nunes de Azevedo, seguindo por Vila Fonche até o Monte do Castelo.

 

6º QUDRO - O crucificado

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Provavelmente de uma destas janelas, entre este impressivo crucificado, uma outra «Avó Sara» teria estado naquele domingo, dia 25 de maio passado, amiga ou «parenta» de um outro «Eduardo Pimenta», à espera que a procissão passasse para lançar pétalas de flores ao andor com a imagem de Nossa Senhora do Castelo.

 

Pela nossa parte, ficamos por aqui, despedindo-nos das terras do Vez e do PNPG, e regressando às terras do Tâmega, preocupando-nos com outros enfeites e procissões...

 

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Gallaecia:- Porta do Mezio (PNPG)

 

 

 

 

 

NO RESCALDO DO XXIII ENCONTRO DE FOTÓGRAFOS E BLOGUES

(ALTO MINHO - TERRAS DO VEZ)

 

- PORTA DO MEZIO DO PARQUE NACIONAL PENEDA GERÊS (PNPG) -

(UMA DAS CINCO PORTAS DO PNPG)

 

 

Vejamos o que os documentos espalhados pelos diferentes sítios da internet nos dizem quanto a Mezio e às cinco portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

 

A Porta do Mezio é uma infraestrutura, cuja principal finalidade é divulgar, informar e promover o Parque Nacional da Peneda-Gerês, estando dotada de vários equipamentos como o Centro de Receção e Informação, o Núcleo Museológico, Museu Rural, Espaço de Exposições, Oficina Temática, Parque da Biodiversidade, Parque “Complexo Agro-Silvo-Pastoril das Serras da Peneda e Soajo”, Torre de Observação, Parque de Merendas e Piscina.

 

A Porta do Mezio, em Arcos de Valdevez, concluiu o projeto das cinco portas da área protegida. "É a melhor forma de controlar o turismo de massas", dizem os responsáveis.

 

A ideia da criação de cinco portas do PNPG - tantas quantos os municípios abrangidos pela área protegida (Porta do Mezio, concelho de Arcos de Valdevez; Porta do Lindoso, concelho de Ponte da Barca; Porta de Lamas de Mouro, concelho de Melgaço; Porta de São João do Campo [Campo de Gerês], concelho de Terras de Bouro e a Porta de Paradela, concelho de Montalegre) - tem cerca 40 anos e foi defendida pelo primeiro diretor do parque, Lagrifa Mendes. A criação de um ponto de receção aos visitantes tinha como objetivo dar a conhecer a quem chega ao Gerês um pouco do que pode ver nas serras.

 

Esta é "a melhor forma de controlar o turismo de massas" na área protegida, defende Luís Macedo, que dirigiu o único parque nacional do país entre 2003 e 2006 e é hoje responsável pela área do PNPG no município de Arcos de Valdevez. Ao chegar à Peneda-Gerês, o visitante dirige-se à porta mais próxima e tem um primeiro contacto com as características naturais da área protegida. "Orientamos o visitante e evita-se que as pessoas entrem sem qualquer informação nas zonas mais sensíveis", explica o mesmo responsável.

 

A porta do Mezio foi a última a ser inaugurada e fica precisamente no concelho de Luís Macedo. A área de receção está equipada de forma a responder às solicitações dos visitantes que procuram a Peneda-Gerês como espaço de lazer. Há uma pequena piscina, área para piqueniques e até um muro de grelhadores homologado para trabalhar no Verão. Quem vem para passar um dia em família, pode ficar por aqui. E os amantes da Natureza podem explorar as áreas mais profundas do parque, dentro das regras fixadas.

 

A ideia das portas do parque nacional não é apenas controlar os fluxos mais maciços de visitantes, mas dar informações a quem chega. Por isso, cada uma das estruturas tem um tema de base. No caso do Mezio é a Biodiversidade, que dá o mote a uma área de cinco hectares com vários equipamentos. O espaço central, que corresponde a um antigo viveiro florestal, tem hortos com as principais espécies vegetais do PNPG e esculturas de dez das espécies animais que vivem na área.

 

O único revés, no que concerne às Portas do PNPG, tem a ver com a Porta de Paradela, em Montalegre. Inaugurada em 2010, não está a funcionar, pelo que a receção aos visitantes no único concelho do distrito de Vila Real, que faz parte do PNPG, é feita no Ecomuseu do Barroso.

 

Apesar de ter quatro décadas, a ideia só começou a avançar já neste século. A primeira porta a abrir ao público foi a de Lamas de Mouro (Melgaço), onde, desde 2004, já passaram 18 mil pessoas. Dois anos depois, abriu ao público a de Campo do Gerês, em Terras de Bouro, uma das mais procuradas. O facto de acolher também o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna (aldeia submersa pela albufeira da barragem homónima) tem valido especial atenção dos utilizadores. Mais de 80 mil pessoas passaram ali desde a sua abertura.

 

A mais recente das entradas do parque começou a funcionar em 2008, no concelho de Ponte da Barca. A estrutura está instalada no Castelo de Lindoso, a três quilómetros da fronteira espanhola, e é a única porta transfronteiriça do PNPG, permitindo a ligação entre a área protegida portuguesa e o Parque Natural Baixa Limia/Serra do Xurés, criado em 1992.

 

A fortificação beneficiou de obras, o que permitiu criar um núcleo museológico militar, lembrando o tempo em que aquele castelo foi um importante reduto de defesa da fronteira. No interior da muralha existirá um núcleo explicativo das características de fauna e flora do parque, bem como do património histórico do concelho. Do lado de fora, junto do maior conjunto de espigueiros de Portugal, estará a porta do parque, com uma loja de produtos locais, um pequeno auditório e o espaço de receção dos visitantes do PNPG.

 

O jornal Expresso, numa edição on-line, fez referência a um artigo do “The Guardian” dedicado aos mais belos parques naturais no mundo. O Parque Nacional Peneda do-Gerês aparece em quarto lugar. O que fez o Parque Nacional integrar a lista dos dez mais foram parâmetros como a beleza natural, paisagens extraordinárias e a vida selvagem.

 

Para a autarquia arcuense, estas distinções são motivo de orgulho já que Arcos de Valdevez integra no seu território uma parte significativa desta área protegida, única no contexto português e único com esta classificação em Portugal – no concelho de Arcos de Valdevez, o PNPG, ocupa uma área aproximada de 13.000 hectares, ocupando cerca de 30% do território municipal e representa cerca de 19 % do total da área do PNPG.

 

O município de Arcos de Valdevez, bem como todos os restantes municípios que integram o Parque Nacional da Peneda-Gerês e ainda os municípios que integram o Parque Natural Baixa Límia Serra do Xurés, do lado Galego, foram recentemente classificados pela UNESCO como Reserva Natural da Biosfera o que, só por si, é indicativo da riqueza ambiental, paisagista e de biodiversidade do território e da importância que tal assume no contexto nacional e internacional, ao nível de espaço classificados e de espécies protegidas.

 

Em Arcos de Valdevez o Parque Nacional tem reconhecidamente um papel fundamental tanto na perspetiva da conservação da natureza, como na perspetiva do desenvolvimento rural sustentado do município. Foi a pensar nisso que o município se envolveu na construção da Porta do Mezio, um projeto que se pretendeu assumir como um dos principais polos do desenvolvimento económico sustentado de Arcos de Valdevez, assente na capacidade de atração e visibilidade do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

 

O Parque gera movimentações em torno de áreas como o Turismo de habitação, do desporto, da gastronomia, da educação ou da investigação, e Arcos de Valdevez faz parte dele.

 

 1º QUADRO - Anta do Mezio

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

O que nos prendeu mais a atenção, antes da entrada no dito Centro de Animação da Montanha, foi a designada Anta do Mezio, localizada na EN 202, entre Arcos de Valdevez e o Soajo.

 

Uma Anta ou Dólmen é um monumento funerário coletivo, construído no Neolítico e Idade do Bronze. É composto por algumas pedras grandes verticais que suportam uma ainda maior, horizontal, formando uma câmara onde eram sepultadas várias pessoas.

 

Existe, na Serra do Soajo, um conjunto grande destes monumentos, sendo a Anta do Mezio a que está mais bem conservada.

 

A Anta do Mezio está integrada no conjunto de monumentos megalíticos conhecidos por Antas da Serra do Soajo. Trata-se de um exemplar funerário pré-histórico edificado há cerca de 5000 anos.

 

Anta ou dólmen vem do baixo bretão: tol=mesa e men=pedra. É um monumento funerário coletivo da época pré-histórica recente (3 a 4 mil anos antes de Cristo), constituído por uma câmara poligonal de sete esteios eretos adoçados entre si, sobre os quais assenta uma tampa ou mesa. O conjunto, posteriormente à sua utilização funerária, era coberto por um tumulum protetor, formado por terra e pequenas pedras, constituindo a mamoa. Esta anta do Mezio nunca foi escavada cientificamente. É na Andaluzia e no Sul de Portugal que, no entender dos arqueólogos, se situa o centro de onde irradiou a chamada cultura dolménica ou megalítica.

 

As antas e mamoas eram locais construídos para servirem de sepultura os seus mortos, usando pedras de granito de razoável grandeza colocadas geometricamente ao alto sobre as quais era colocada um outra em forma de laje a servir de cúpula sendo coberta com pequenas pedras e terra, deixando uma pequena abertura e, em alguns monumentos, com um corredor de acesso ao pequeno espaço interior.

 

Demos agora a conhecer a planta do Centro de Animação da Montanha.

Porta do Mezio Centro de Animação de Montanha-4.

Do percurso que nele fizemos, deixamos aqui mais os seguintes quadros:

 

2º QUADRO - A vaca

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Deambulando, sob um sol e calor que «apertava», ao longo deste lindo espaço recreativo, não vimos, ao vivo, alguns espécimes que abundam ou são caraterísticos desta zona do PNPG, mas vimos algumas das suas representações. A começar pela vaca e pelo miúdo olhando admirado algo a que todos os dias, provavelmente, não está habituado observar.

 

3º QUADRO - O lince ibérico

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

O lince ibérico (Lynx pardinus) foi reintroduzido no PNPG e veio enriquecer ainda mais a sua rica fauna.

 

4º QUADRO - O bufo-real

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

O bufo-real (Bubo bubo) é uma espécie de ave estrigiforme pertencente à família Strigidae. É, atualmente a maior espécie de coruja existente no planeta, chegando a 86 cm de comprimento, 1,70 a 2,10 metros de envergadura e pode pesar até 5,5 quilos. O bufo-real tem uma longevidade bastante extensa que pode variar de 10 a 20 anos.

 

Trata-se de um predador de topo, encontrando-se nos lugares mais elevados na cadeia trófica. Alimenta-se de ratos, ratazanas, gaivotas, patos, lebres e inclusive de outros bufos e aves de rapina. É violentamente atacado por gaivotas e gralhas em bandos. É principalmente nocturno e emite os seus chamamentos ao anoitecer e ao amanhecer. A sua vocalização1 é um uuu-uu repetido e grave. Caracteriza-se pelos dois tufos de penas no alto da cabeça – que retrai durante o voo –, grandes olhos de íris laranja, o ventre pálido e listado e dorso jaspeado e escuro com manchas claras.

 

5º QUADRO - A águia-real

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Obviamente, não poderia aqui ficar um registo desta bela ave rapina. Não percebemos é porque não aparece, no seu suporte, a cor vermelha. Sim vermelha, pois não gosto tanto da palavra encarnada.

 

6º QUADRO - Víbora-cornuda

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Não é todos os dias que vemos uma estátua dedicada a uma das nossas espécie de anfíbios ou répteis, no entanto a Porta do Mezio do Parque Nacional da Peneda Gerês nos Arcos do Vale do Vez, decidiu decorar o espaço encomendando estatuas alusivas a animais emblemáticos do parque. Uma das espécies escolhidas foi a víbora-cornuda (Vipera latastei) e a estátua ficou incrível!

 

Da Wikipédia recolhemos o seguinte texto: “É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa.

 

A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo.

 

Se encontrar alguma, não se aproxime, afaste-se lentamente. No entanto, se for mordido por uma destas cobras, não corra e tente ficar calmo, para evitar que o veneno se espalhe e procure imediatamente um hospital, principalmente se a vítima for uma criança, um idoso ou alguém com doenças crónicas. Ao chegar ao hospital, tente descrever a cobra, para o médico poder fazer o tratamento necessário com antídotos, para que a que a vida da vítima não seja posta em perigo, nem fiquem lesões graves para o resto da vida.

 

Em Portugal, existe ainda a ideia que não existem cobras venenosas no país. Nada mais errado, o que não existe são cobras com venenos muito tóxicos, o que é significativamente diferente.

 

Importante mesmo é que esta espécie faz parte da fauna portuguesa e a sua existência é muito importante no combate aos pequenos roedores”.

 

7º QUADRO - Canastro e roda do moinho

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

O espigueiro, também chamado canastro ou caniço, é uma estrutura normalmente de pedra e madeira, existindo, no entanto, alguns, inteiramente de pedra, com a função de secar o milho grosso, através das fissuras laterais, e, ao mesmo tempo, impedir a destruição do mesmo por roedores, através da elevação dele. Como o milho é recolhido no outono, precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o inverno.

 

Os espigueiros, ou canastros de varas, são mais antigos que os de pedra (e madeira), e eram mais abundantes na área do Soajo. São compostos por varas entretecidas, construídos de forma arredondada, formados por «tanchões» espetados numa «mesa» sobrelevada, de pedra ou madeira, sobre a qual são tecidas as varas, de carvalho ou giesta, e com a cobertura em forma de capuz de colmo. Estes canastros redondos, como este que aqui apresentamos, são, simultaneamente, um exemplo notável da tecnologia no domínio do armazenamento de cereais, ao mesmo tempo que constitui um elemento altamente valorizador da paisagem onde se insere. Positivamente, este «património» que aqui vemos está manifestamente em perigo, sem qualquer incentivo ao seu uso e preservação, a não ser para constarem como verdadeiras peças de museu.

 

Os moinhos, e as suas rodas, são hoje já verdadeiras peças de museu, quer nos respetivos locais, quer em lugares ou instalações museológicas, como estas, construídas com o fim, entre outros, didático-pedagógicos.

 

8º QUADRO - Traje regional

 

Traje.jpg

Já os trajes típicos ainda desempenham as duas funções: como peças de museu e ostentado pelos seus habitantes como motivo de orgulho das suas tradições.

 

9º QUADRO - Núcleo Museológico

 

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Apenas vimos as suas instalações por fora. O tempo não dava para mais.

 

Arcos de Valdevez esperava-nos como última etapa do nosso Encontro/Passeio por terras do Alto Minho - Terras do Vez.

 

10º QUADRO - Paisagem

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Do Mezio até Arcos de Valdevez, pela EN 202, somos «acarinhados» pela serra do Soajo, à nossa direita e a da Amarela, à nossa esquerda. Aqui fica uma paisagem com a serra do Soajo como pano de fundo.

 


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Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

Gallaecia:- Soajo/Arcos de Valdevez

 

 

 

 

NO RESCALDO DO XXIII ENCONTRO DE FOTÓGRAFOS E BLOGUES

(ALTO MINHO - TERRAS DO VEZ)

 

- SOAJO - A ARTE E O ENGENHO DE GUARDAR O MILHO -

 

O Soajo, uma das mais típicas aldeias portuguesas, pertence ao concelho de Arcos de Valdevez e situa-se numa das vertentes da serra da Peneda, inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Diz Joel Cleto: “As vizinhas povoações do Soajo (Arcos de Valdevez) e Lindoso (Ponte da Barca) albergam dois dos mais famosos conjuntos de espigueiros existentes em Portugal. Contudo, embora sejam símbolos emblemáticos e testemunhos privilegiados do forte impacto e da verdadeira revolução agrícola que o milho operou nestas terras atlânticas desde que, no século XVI, aqui foi introduzido, a verdade porém é que, entre nós, a origem dos espigueiros radica na mais remota Antiguidade.

 

1º QUADRO - Estrutura em que assenta o espigueiro

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Tudo porque... aqui há rato!

 

2º QUADRO -  A eira assente no penedo

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Não é o maior conjunto de espigueiros do país. Mas é seguramente o mais imponente. Construídos inteiramente em pedra, os 24 espigueiros do Soajo encontram-se “reunidos a esmo no cimo do penedo” - um longo afloramento granítico que além de acolher estas tradicionais manifestações da arquitetura do mundo rural, destinadas à armazenagem e secagem do milho, reserva também um vasto e fundamental espaço central: a eira comum.

 

3º QUADRO - A monumentalidade e a proteção, fois fatores essenciais

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Se a grande concentração de espigueiros é fator fundamental da imponência deste conjunto, não é menos verdade que muita da sua monumentalidade resulta do facto daquele afloramento ser bastante alto, convertendo-se numa autêntica “defesa natural” que salvaguarda aquelas construções dos animais, particularmente das galinhas, e dos incêndios.

 

4º QUADRO -  Função de armazenagem e secagem, por via da ventilação

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Mas, foi um outro perigo, uma outra praga, que terá feito surgir entre nós os “espigueiros”. Não possuíam, contudo, então esta designação. Até porque as “espigas” do milho maís, que estão na origem da sua denominação, só foram introduzidas na região no século XVI, após a descoberta das Américas, de onde é originário aquele cereal.

Não sabemos exatamente quando surgiram os espigueiros, mas é indiscutível que, muito semelhantes aos que hoje conhecemos, já existiam na Idade Média como comprovam os desenhos de várias iluminuras dessa época ou referências documentais em textos datados de 1032, 1057 ou 1075, servindo então para guardar as espigas do milho-alvo e cereal de pragana por malhar. Indiscutível parece ser também que na origem destes “celleiros” ou “celarios” esteve, efetivamente, uma enorme e permanente praga da região: os ratos. Com efeito, para lá da sua clara função de armazenagem e secagem ventilada,

 

5º QUADRO - A utilização das nós dos moinhos para obstaculizar a entrada dos ratos

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

é evidente nas suas características e no engenho construtivo a preocupação que estas estruturas denotavam em resguardar o cereal daqueles roedores. Uma das estratégias mais habituais, e perfeitamente visível no Soajo, é a colocação de grandes pedras circulares entre os pés e o restante corpo dos espigueiros, constituindo um obstáculo intransponível para os ratos que possam ter subido na vertical ao longo das pernas da construção. Grande parte dos espigueiros deste conjunto utilizou, para esse fim, velhas mós de moinhos.

 

6º QUADRO - A antiguidade destas estruturas, a  proteção, a conservação do milho e a proteção da cruz

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

A grande abundância de ratos no noroeste da Península Ibérica, já mencionada por Estrabão no início da colonização romana – e que levou mesmo, na Cantábria, a que as autoridades romanas premiassem quem os matasse – só começou a ser atenuada na Baixa Idade Média com a vulgarização do gato doméstico.

Mas, nem só os ratos explicam a génese destas típicas estruturas de armazenagem. Os fatores climáticos, nomeadamente a forte humidade do noroeste peninsular, foram também fundamentais no aparecimento destas construções que, embora fechadas e bem resguardadas dos agentes climáticos adversos, permitiam uma boa secagem e, em simultâneo, o armazenamento do milho em boas condições, que passavam, entre outras, por uma ventilação adequada.

O facto do milho em grão, guardado em caixa, não se conservar em média mais do que um ano, enquanto na espiga pode conservar-se durante anos, terá contribuído, fundamentalmente após a introdução do milho maís, para algumas mudanças operadas nos espigueiros, de que são exemplo um crescimento das suas dimensões e o aparecimento de características arquitetónicas mais duradouras que, como aconteceu no Soajo, resultou mesmo na sua total petrificação. Paulatinamente, e de forma mais notória a partir do século XVIII, estes espigueiros acabaram por fazer desaparecer – já na segunda metade do século XX – os canastros ou caniços, “celeiros” mais primitivos e construídos na sua totalidade com elementos vegetais. Os últimos canastros do Soajo, que se implantavam ao lado dos espigueiros, feitos de verga de carvalheiras, eram ainda visíveis há cerca 20 anos.”

E arremata Joel Cleto: “Mas, se é verdade que os 24 espigueiros do Soajo acabam por constituir uma das maiores concentrações de espigueiros exclusivamente em pedra existentes no país, outros conjuntos há que, pela abundância e diversidade de tipologias que albergam, merecem também uma referência. É o caso, a uma dezena de quilómetros de distância do Soajo, do agrupamento de espigueiros do Lindoso. São 64, reunidos num curto espaço, embora não tão monumental quanto o do Soajo. Constituindo, provavelmente, o maior conjunto do país, os espigueiros do Lindoso [que vimos no post anterior] dividem-se em diversos tipos, desde os que são exclusivamente em pedra a outros que combinam de diversos modos diferentes materiais, nomeadamente o granito, a madeira, a lousa e o tijolo. Tal como no Soajo, estes espigueiros concentram-se em torno de uma única e retangular eira, testemunhando assim a importância do trabalho coletivo que tão intrinsecamente caracterizou estas comunidades de montanha durante séculos”.

 

7º QUADRO - A Igreja Matriz de São Martinho do Soajo

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Ao caminharmos pelas ruas pavimentadas, com lajes de granito, damo-nos conta das casas típicas construídas no mesmo material. São de apreciar a Casa da Câmara, a Casa do Enes, a Igreja Paroquial de São Martinho do Soajo. o moinho em ruínas

 

8º QUADRO - O típico pelourinho

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso, e o pelourinho.

 

As inúmeras casas de turismo aqui existentes nasceram da recuperação de edifícios antigos. São espaços muito bem restaurados que mantiveram a traça tradicional e que proporcionam estadias confortáveis em pleno Parque da Peneda-Gerês".

Para finalizar, gostaríamos que os nossos(as) leitores(as) consultassem o sítio da internet - http://www.altominho.pt/gca/?id=693 - que nos fala da Lenda do Juiz do Soajo. É digno de ser lido para que certos valores de antanho sejam seguidos por certos «dignatários» que, infelizmente, hoje nos governam.

 

9º QUADRO - Paisagem 1

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

Enquanto do Soajo nos dirigíamos para o Mezio, deixamos aqui dois quadors de paisagem que, do autoocarro, fomos captando.

 

10º QUADRO - Paisagem 2

 

2015 - XXIII Passeio Lumbudus (Celanova, Lindoso,

A última delas com um restaurante [ou instalações para a realização de eventos] no cimo do monte.


publicado por nona às 22:11
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